Nevos Melanocíticos por Isabel Viana

As lesões melanocíticas benignas são múltiplas e variadas, indo das vulgares sardas (efélides) aos lêntigos, nevos comuns, nevos atípicos ou displásicos e nevos azuis de entre outras mais raras e específicas.


Os nevos comuns, conhecidos geralmente por “sinais” podem ser congénitos ou adquiridos – Estes últimos, mais frequentes, surgem na infância ou adolescência, atingem um pico por volta da 3ª, 4ª décadas e tendem a regredir com o avançar da idade. Na sua génese podem estar envolvidos factores genéticos e ambienciais, como a exposição solar intermitente na infância. Se na maioria das vezes a sua relevância seja principalmente de ordem cosmética é importante reconhecer que um número elevado de lesões (acima de 50 para alguns autores) é considerado factor de risco para o aparecimento de Melanoma maligno.

Os nevos comuns têm uma evolução própria: iniciam-se como lesões acastanhadas, planas, simétricas, de cor homogénea, bordo regular e de pequenas dimensões que se situam na junção dermo-epidérmica e por isso se designam nevos de junção; com o decorrer do tempo e à medida que vão atingindo a derme superficial tornam-se mais elevados – nevos compostos. Por fim as lesões são mais salientes e menos pigmentadas quando há só envolvimento da derme – nevos intradérmicos. Por vezes os nevos comuns sofrem alterações como foliculites, eczematização ou aparecimento de halo despigmentado circundando o nevo que assustam o doente mas que não têm importância na maioria dos casos.

Os nevos atípicos ou displásicos surgem igualmente na infância e vão adquirindo características clínicas atípicas a partir da puberdade. Ao contrário dos nevos comuns podem continuar a aparecer ao longo da vida e não desaparecem com a idade. Do ponto de vista clínico, são muitas vezes Assimétricos, têm Bordo irregular, Cor variando entre o castanho e o vermelho e são geralmente de maiores Dimensões que os nevos comuns (regra ABCD). O seu significado tem sido motivo de controvérsia. À semelhança do que ocorre com os nevos comuns, um número elevado de nevos atípicos é factor de risco para o aparecimento de Melanoma maligno. Os nevos atípicos podem ocorrer de forma isolada, esporádica ou integrados no chamado Sindrome dos Nevos Displásicos em que além de serem múltiplos estão associados a antecedentes pessoais ou familiares de Melanoma maligno sendo nestes casos muito elevado o risco de desenvolvimento subsequente de Melanoma maligno. Nestes casos é mandatória uma vigilância apertada dando especial atenção ao aparecimento de novas lesões.



Isabel Viana
Centro de Dermatologia Médico-Cirúrgica de Lisboa

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