Sol e Desporto por Basil Ribeiro

De um modo geral os praticantes desportivos também se expõem à radiação solar. Nesta importa considerar a radiação ultravioleta (A e B), causadora de agressão cutânea que conduz ao desenvolvimento do cancro cutâneo, e a radiação infravermelha. A acção térmica desta poderá originar queimadura cutânea e aquecimento corporal, o qual deverá ser neutralizado no sentido de prevenir a hipertermia.


A prevenção da hipertermia corporal ocorre pela acção de vários mecanismos conducentes à perda de calor, dos quais se destaca o mecanismo de sudação-evaporação. A agressão solar a eficácia deste conduzem à desidratação, à fadiga e à diminuição do rendimento desportivo. Esta é certamente a principal razão que origina menor atenção ao Sol como promotor do cancro cutâneo e se valorize mais o efeito sobre o aumento da temperatura corporal. As acções destinadas a repor os líquidos perdidos durante o exercício físico são privilegiadas em relação ás atitudes preventivas do cancro cutâneo.

Na prática desportiva importa considerar três tipos de população: os praticantes de desportos indoor e no exterior, onde se inclui staff de apoio, e também os assistentes que se deslocaram para apoiar a sua equipa ou o seu familiar. Naturalmente que a prevenção da agressão solar sobre a pele interessa ao contexto outdoor. E neste, importa desde já chamar à atenção que as nuvens do céu ou a permanência dentro de água não são suficientemente eficazes para funcionarem como filtro da radiação UVA e UVB. A prática desportiva no Inverno, onde o Sol é “mais fraco” também não é tranquilizadora, pois os raios UVA mantém-se constantes ao longo do ano (os UVB são menos intensos), pelo que o potencial de agressão mantém-se no tempo frio. A prática de desporto em áreas com grande capacidade de reflexão dos raios solares (neve, areia) exige protecção adicional. A prática desportiva na neve implica a protecção de todo o corpo contra o frio, mas pode deixar a descoberto a face, com consequentes lesões dos lábios, cataratas e cancros em torno dos olhos. O horário de treinos e de competições é algumas vezes o pior possível. Veja-se o caso dos ciclistas, cujas provas de 4-5 horas começam ás 11, ás 12 ou ás 13 horas por exigências da transmissão televisiva.

O praticante desportivo é um cidadão comum que se expõe ao Sol, pelo que deve adoptar todas as medidas preventivas: escolher os melhores horários, aproveitar as sombras, aplicar abundante e frequentemente o protector solar, usar equipamento de protecção (roupa, óculos, chapéu), hidratar bem, evitar os bronzeamentos artificiais e fazer o auto-exame da pele, no sentido de monitorizar e/ou descobrir sinais cutâneos que mereçam a atenção do especialista. O médico de Medicina Desportiva também se deve preocupar com este item e não apenas com o rendimento físico ou com o tratamento de lesões.

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